segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Meu negócio.

Cansada.
Absurda e infinitamente saturada de desamor.
Nessa vida,
eu já vi e ouvi muitas coisas... 
Tantas coisas que hoje em dia, "amor" pra mim, não passa de um verbo.
E esse verbo, pela minha experiencia nunca é conjugado por duas pessoas.
Para mim, o "amor sentimento", não existe.
Pelo menos não o recíproco.
 O cômico da historia é que eu nem precisei "amar" pra isso.

Sabe a garota que sou? 
Garota de negócios.
O meu negócio?
"O amor".
Sou a garota que não acredita e que chora por não acreditar.
Porém...
Dou conselhos todos os dias,
Amparo todos os dias,
Coloco minha dor no bolço, e as vezes tranco na gaveta.
Digo frases de "amor" e faço propaganda dele.
Vendo ingressos e esperança.
Loto teatros, casas de show e estádios.
Vendo meu produto bem, e sou muito convincente.
Sou formada e graduada pra falar de "amor".
Minha propaganda enganosa,
promete "amor" de filmes e livros, musica e poesia.
Digo que existe.
Digo pra acreditar, ter fé, lutar e ir atrás.
Digo que provo, já provei, e irei provar do "amor".
Indico todos os dias.
De brinde, ainda falo em "paixão".
Prometo que no meu produto "paixão" é inclusa no pacote.
E na cara de pau, juro, que ela não passa, não falha e não vence. 
Porém,
Aqui entre nós, 
lá no fundo...
Bem no fundo...
Coberto, escondido e lacrado.
Tenho medo.
Medo de um dia, trocar de lado.
Medo de ser a garota que vai ouvir a propaganda,
Que vai comprar ingresso.
Que vai sentar na primeira fila.
Que vai ter fé, lutar e ir atrás.
Que vai provar do "amor".
Que vai consumir e ser consumida por ele.

Medo de um dia, ser a garota que acredita,
que procura, sofre, quebra a cara, não encontra, mas acredita.
A garota que sempre volta pra ouvir a propaganda.

Medo de inverter os lados,
Medo de um dia, ao envés de ser a garota que chora por desamor 
e que é tão boa nesse negócio,
ser aquela espelhada nas minhas clientes.
 Que chora até dormir por amar demais.


Com desamor... Anny.

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